Monolugar italiano (que nunca chegou a correr) estará na grelha do Classic G.P. do Estoril.
Passados 46 anos e muitas histórias, o Riviera F.1 170 vai ter oportunidade, pela primeira vez, de alinhar numa grelha de um Grande Prémio. Será no Estoril, em Setembro, no Classic G.P.
Nascido da combinação do sonho de um piloto – Alberto Colombo –, da concepção de um técnico – Giorgio Valentini – e do empenho financeiro de várias pessoas – nomeadamente do patrocínio da Le Coq Sportif – o Riviera F.1 170 deveria ter-se estreado no G. P. de França de 1980. Mas, tal não aconteceu, nem nunca viria a suceder…
Piloto de Fórmula 2, Alberto Colombo teve passagens (sem êxito) pela ATS e pela Merzario. Achou, então, que o melhor modo de chegar à F. 1 seria reunir esforços para construir o seu próprio monolugar.
Encontrou na sua própria região o apoio necessário para tentar construir uma equipa italiana independente, cuja responsabilidade técnica foi confiada ao engenheiro Giorgio Valentini.
Ao longo de cerca de 1.200 horas de trabalho, Valentini e o seu assistente Savoldelli desenvolveram o Riviera F.1 170, um monolugar de efeito de solo equipado com o venerável motor Ford Cosworth DFV V8. O projecto ficou registado em dez volumosas pastas de desenhos, enquanto a construção do monocoque foi confiada à britânica Thompson e as suspensões à Preatoni, de Novara.
A Le Coq Sportif surgia como principal patrocinador e o plano passava por levar o Riviera a quatro Grandes Prémios em 1980: França, Inglaterra, Alemanha e Itália.
E, ao que parece, mais do que insuficiências técnicas, foi aqui que o Riviera… parou.
O todo-poderoso Bernie Ecclestone, líder da FOCA, analisou os desenhos e a estrutura financeira da Riviera durante uma reunião no Hotel Principe di Savoia, em Milão. Havia interesse, mas também condições: Ecclestone pretendia um compromisso para todo o Campeonato do Mundo, garantias de continuidade e um empenhamento competitivo de três anos.
Não havia fundos pra tamanho orçamento e o acordo não avançou.
O projecto morreu antes de chegar ao primeiro Grande Prémio e o Riviera F.1 170 ficou parado, sem nunca ter percorrido um único metro de pista.
Desapareceu durante décadas. As poucas fotografias conhecidas mantiveram viva a memória de um projecto que esteve muito perto de chegar à Fórmula 1.
Até que, em 2020, uma reportagem da revista italiana Autosprint voltou a despertar o interesse pela história.
Cinco anos mais tarde, o empresário e piloto de monolugares históricos Marco Fumagalli encontrou a carroçaria original num armazém prestes a ser demolido. Com ela estavam também os desenhos originais de Giorgio Valentini.
Fumagalli juntou-se a Massimo Pollini, especialista na recuperação de automóveis de competição históricos, e começou então um trabalho que devolveu forma e identidade ao projecto concebido quatro décadas e meia antes. Peça a peça, o Riviera voltou a ser aquilo que Valentini e a equipa da Riviera F.1 tinham imaginado em 1980.
A 18 de Novembro de 2025, no circuito de Cremona, perto de Milão, chegou finalmente o momento que tinha sido adiado durante 45 anos. Marco Fumagalli sentou-se ao volante e, acompanhado por Massimo Pollini, levou o Riviera F.1 170 para a pista. Foram quatro sessões e quinze voltas, os primeiros metros de um automóvel que tinha sido concebido para disputar o Campeonato do Mundo de Fórmula 1, mas que até então nunca tinha rodado em pista.
Para Fumagalli, a experiência permitiu também descobrir o comportamento de um automóvel que nunca tinha conduzido. "É um ‘wing-car’ e nunca tinha conduzido um carro deste tipo, apenas tinha feito algumas voltas ao volante dos carros de amigos. Utilizei o meu Riviera num teste longo e posso dizer que, nas curvas, é mais rápido quando o comparo com os meus Theodore ou Ensign. O cockpit é mais pequeno, mas todos estes ‘wing-cars’ têm este pequeno problema", explica.
Foram os primeiros metros de um monolugar que durante 45 anos existira apenas como projecto, desenho e memória, antes de finalmente conhecer o comportamento para o qual tinha sido concebido e é essa história que o Riviera F.1 170 levará agora ao Estoril Classics.
Não como um antigo Fórmula 1 que regressa à competição, porque nunca chegou a competir, mas como testemunho de um projecto que nasceu para enfrentar os melhores do mundo, ficou parado antes de poder tentar fazê-lo e encontrou, 45 anos depois, uma segunda oportunidade.
No Autódromo do Estoril, os adeptos poderão ver de perto um automóvel que esperou 46 anos pelo momento em que alinhará, com Marco Fumagalli ao volante, na grelha de um Grande Prémio.
Foto: Race Ready
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