Há nove décadas, modelo da Fiat abriu as portas para a motorização em massa da Itália.
Em Junho de 1936, o Fiat 500, carinhosamente apelidado de "Topolino", chegou ao mercado, mudando para sempre a história da mobilidade na Itália e inaugurando a "democratização" dos automóveis, antes privilégio de ricos. O evento “La Topolino va ai 90” foi a celebração desse ícone.
Noventa anos após o seu lançamento, o Fiat 500 "Topolino" continua a atrair entusiastas e coleccionadores, guardiões de uma memória que é parte integrante da identidade industrial e cultural do país.
Para celebrar o aniversário, o Topolino Autoclub Italia e o Club Topolino Fiat Torino criaram um comité chamado "La Topolino va ai 90", que organizou o evento homónimo, que percorreu os locais mais emblemáticos de Turim e arredores.
Logo no primeiro, os 120 automóveis participantes, como parte de um itinerário rico e evocativo, fizeram uma paragem no Heritage Hub, localizado no complexo industrial de Mirafiori, que abrigou a lendária fábrica do Topolino a partir de 1947 (antes disso, era produzido na igualmente icónica fábrica de Lingotto).
Este cenário recebeu um evento exclusivo reservado para os participantes do “La Topolino va ai 90”, que desfrutaram de uma visita guiada ao centro de exposições e de um jantar de gala, servido no meio a um património único.
Em exposição, além de dois exemplares das versões B e C, encontram-se reproduções de diversos cartazes publicitários e esboços do 500 Topolino, criados por artistas para o lançamento do automóvel — verdadeiras obras de arte, preservadas no Centro Histórico da Fiat. Também em exibição estava um chassis do 500 A — cedido pela MAUTO, que o recebeu como presente da Fiat em 1937 — que demonstra a genialidade do design de Dante Giacosa, em parte inspirado em técnicas de engenharia aeronáutica.
Afinal, o jovem designer iniciou sua carreira na Fiat Avio antes de se juntar à Fiat, onde projectou alguns dos automóveis mais icónicos e inovadores da época.
O Fiat 500 "Topolino" nasceu entre as duas guerras mundiais, com o objectivo de impulsionar a motorização em massa da Itália com um veículo acessível.
O projecto começou com uma ideia ambiciosa do director técnico Antonio Fessia, que idealizou um modelo pequeno, "com tudo à frente" (motor dianteiro e tracção dianteira), uma arquitectura bastante incomum para a época.
No entanto, um problema durante os testes do primeiro protótipo levou a uma revisão do projecto e em 1934 o mesmo foi confiado ao então jovem Dante Giacosa.
O layout manteve-se o tradicionnal (motor dianteiro, tracção traseira), mas com uma solução curiosa: o motor de quatro cilindros e 569cc foi posicionado à frente do eixo dianteiro, assim como o radiador. Essa busca obsessiva por economia deu origem a detalhes engenhosos: o radiador, localizado na parte superior traseira do motor, não necessitava de bomba d'água. Além disso, a distância entre eixos, de dois metros, oferecia bom espaço para dois ocupantes, e um pequeno banco traseiro que permitia acomodar um passageiro somente quando a capota de lona, na versão em que estava disponível, estava aberta.
O motor baixo permitia um capô afilado, em cujas laterais, nos para-lamas, os faróis externos lembravam as orelhas do famoso personagem da Disney: daí o apelido "Topolino".
Apresentado em Junho de 1936 como “o novo pequeno grande carro de economia e trabalho", o 500 custava 8.900 liras, bem acima da meta inicial de 5.000 liras, mas ainda assim foi um sucesso, com cerca de 20.000 unidades vendidas por ano até ao início da II Guerra Mundial.
Após a Guerra, o modelo retomou a produção e evoluiu: em 1948, o 500 B fez sua estreia no Salão Automóvel de Genebra. Sob uma carroçaria praticamente inalterada, escondia um aumento de quase 30% na potência disponível, com travões, suspensão hidráulica e sistema eléctrico atualizados.
Também estreou a Giardiniera Belvedere, o primeiro "Topolino" de quatro lugares, com acabamento em madeira.
Em 1949, surgiu o 500 C, com faróis embutidos, grade horizontal e — uma novidade para um Fiat de produção — interior aquecido.
A produção terminou em 1955, após mais de 376.000 unidades fabricadas: protagonista do período pós-Guerra, como automóvel familiar e incansável veículo de trabalho, o pequeno e revolucionário veículo continuou a circular em grande número até à década de 1960, quando gradualmente passou o testemunho ao 600 e ao Nuova 500, encarregados de completar a motorização em massa da Itália iniciada pelo “Topolino”.
Foto: Stellantis Heritage
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