Faz hoje 60 anos que o público viu pela primeira vez automóveis como o Lamborghini Miura ou o Fiat 124.
Quando, pela 36ª vez, o Salão do Automóvel de Genebra abriu as suas portas, a 10 de Março de 1966, dava início a uma das edições mais marcantes da indústria automóvel. Ali se mostraram ao público, pela primeira vez, modelos como o Lamborghini Miura ou o Fiat 124.
Não se pense, porém, que se esgotaram nos dois modelos italianos as estreias de automóveis que ficaram para a história: foi também nesse dia que a BMW mostrou o seu 1600, a Alfa Romeo o Giulia Sprint GT Veloce e a Lancia o Fulvia Coupé HF. E até foi ali que a Audi, desaparecida desde a II Guerra, “substituiu” a DKW.
Mas voltemos à estrela do certame, o Miura… que não foi apresentado no stand da Lamborghini, que destacava o 400GT 2+2.
Mostrado pela pela primeira vez sem carroçaria (https://www.auto-vintage.net/2025/11/vender-um-automovel-sem-mostrar.html) no Salão de Turin de 1965, o primeiro exemplar do Lamborghini Miura ficou pronto a 1 de Março de 1966, ou seja, nove dias antes do Salão de Genebra abrir as suas portas.
A carroçaria desenhada por Marcello Gandini, pintada num berrante Arancio Acrilico, foi mostrada pela primeira vez no espaço da casa para a qual trabalhava o designer, a Bertone.
Ali, para além do inesquecível Lambo, havia outras criações que não vingaram, como um Jaguar FT Coupé (que o importador italiano da marca britânica pretendia ver transformado num modelo de série) ou um ainda mais “insólito” Porsche 911 2.0 Bertone Roadster, “concept” desenvolvido a pedido do distribuidor da marca para a California, John von Neumann (com a concordância da fábrica) e que também nunca veio a ter produção em série.
Ao contrário, quem viria a ser fabricado em grandes quantidades (e com o nome de várias marcas) seria o também estreante Fiat 124, um familiar de quatro portas, que no ano seguinte viria a ser eleito Carro do Ano.
Terminando a sua carreira comercial, oito anos depois, com cerca de milhão e meio de unidades vendidas, veio a ser a base de versões tão diferentes como a carrinha Familiare ou os desportivos Sport e Spider.
Mas, mais do que isso, transformou-se num modelo global, produzido em países tão diferentes como a União Soviética (Lada) ou a Espanha (Seat), a Coreia (Fiat-KIA) ou a Índia (Premier).
Voltando a Genebra e a 1966, foi ali, como dissemos, que a marca Audi foi recuperada, com a apresentação do modelo 72, um familiar de três volumes, destinado a substitui os “cansados” DKW.
E também foi ali, há 60 anos, que a BMW acrescentou um modelo à sua Neue Klasse, o 1600 (1602 após 1971), com a inconfundível carroçaria de duas portas, que perduraria em produção por uma década.
E, depois, haveria ainda muito mais a falar de novidades do Salão de Genebra de 1966, principalmente vindas de Itália. Do Bizzarrini 5300 Spyder SL aos Ferrari 330 GTC e 365 California, passando pelo peculiar Ford OSI 20M TS, sem esquecer exercícios de estilo como o Frua S-Type (sobre mecânica Jaguar) e o Isuzu 117 Coupé, criado por Giogetto Giugiaro.
E tudo isto sem esquecer dois modelos que marcariam o Automobilismo: o Alfa Romeo Giulia Sprint GT Veloce, cujos objectivos ficavam claros (embora discretamente) com a colocação das quatro folhas de trevo (Quadrifoglio) nos pilares do vidro lateral traseiro e o Lancia Fulvia Coupé HF, ainda com motor de 1.216cc, que seria a arma da marca para triunfar nos Ralis.
1966. Uma grande colheita em Genebra.
Reviewed by Auto Vintage
on
10.3.26
Rating:

No comments: