Seis anos depois de ter falhado a venda em leilão, automóvel está agora anunciado por 210 mil euros.
Um Maserati 3500 GT, no estado em que a foto documenta, está á venda por 210 mil euros. O valor só se compreende por não ser um Maserati qualquer. É o automóvel que Juan Manuel Fangio utilizou na Europa, como automóvel pessoal (e de testes), entre 1961 e 1966.
Depois de “desaparecido” durante décadas, o Maserati ex-Fangio reapareceu em 2019, num leilão promovido pela Finarte, a 25 de Outubro daquele ano, então com um valor estimado entre 475 e 540 mil euros.
Apesar de ter então recebido uma oferta de 400 mil euros, o automóvel não foi vendido nessa altura, regressando agora ao mercado, estando anunciado pela Scuderia Renania (empresa com sede em Dusseldorf) com um preço de 210 mil euros.
Este é apenas mais um capítulo de uma longa e interessante história deste automóvel.
Retirado da Fórmula 1 desde 1958, Fangio não quebrou a ligação à última marca com que foi campeão do Mundo pela quinta vez e assim não surpreende que a Maserati lhe tenha entregue um 3500 GT para que o utilizasse nas suas viagens na Europa, reportando à marca as suas experiências de condução.
Na prática, tratou-se de um automóvel de testes, com o piloto a apresentar relatórios sobre as usas experiências.
Em 1966, Fangio estacionou o automóvel no parque da sede da Maserati e, para surpresa de todos, nunca mais voltou para o conduzir.
Três anos mais tarde, o penta-campeão do Mundo enviou uma carta à Maserati, pedindo desculpas pelo seu atraso e expressando a intenção de recuperá-lo em breve.
O “em breve” demorou dez anos, uma vez que apenas em 1979 Fangio veio a oferecer o automóvel e a dar autorização a dois amigos italianos que recuperassem o 3500 GT.
Surpreendida com a situação, a Maserati recusou-se a entregar o automóvel, tendo sido necessário esperar até 1981, ano em que Alejandro De Tomaso – ao tempo, o proprietário da Maserati –, autorizou a entrega, a Guerino Bertocchi (ex-piloto e antigo chefe de testes da marca) e a um coleccionador italiano cuja identidade se desconhece.
Quando o duo recebeu o 3500 GT ele já estava no lamentável estado que ainda hoje apresenta. Como uma espécie de compensação pela longa espera, a Maserati colocou algumas peças de reposição originais no porta-malas.
Logo após a entrega, Bertocchi faleceu e o automóvel permaneceu na colecção particular do seu amigo, sem nunca mais trabalhar.
Permanece assim até hoje, uma verdadeira cápsula do tempo.
Foto: Scuderia Renania

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