Sergio Pininfarina: o príncipe nasceu faz hoje 100 anos

Sucessor de Battista Farina comandou os destinos da Carrozeria entre 1960 e 2002.

Se fosse vivo (faleceu em 2012), Sergio Pininfarina faria hoje 100 anos. É o centenário de uma das figuras mais marcantes da História do Automóvel, o herdeiro de um dos mais importantes estúdios de design, fundado pelo seu pai, Battista Farina.

Antes de entrarmos na história do príncipe-herdeiro Sergio, comecemos pelo apelido de família, alterado, por lei, em 1961.

Penúltimo dos 11 filhos de uma família piemontesa – que daria ao mundo, entre outros, o primeiro campeão do Mundo de Fórmula 1, Giuseppe Farina –, de baixa estatura (1,5 metros), Battista sempre foi conhecido como “Pinin”, termo local para denominar “o mais pequeno”.

Começando aos 12 anos a trabalhar na oficina do irmão Giovani, Battista Farina decidiu fundar em Turin, em 1930, a sua própria empresa, a Carrozeria Pinin Farina.

O seu trabalho ganhou rapidamente destaque, ao mesmo tempo que Battista conduzia o seu filho, Sergio, a ter uma formação que viesse a ser útil ao negócio da família.

No final dos anos 50, Sergio Farina (ainda era assim o apelido) licenciou-se em Engenharia Industrial, na Universidade Politécnica de Turin, e foi trabalhar com o pai.

A entrada na década de 60 do século passado marcou dois momentos importantes: ainda activo, em 1960, Battista Farina confiou a liderança executiva da Carrozeria ao filho Sergio e no ano seguinte obteve uma autorização legal para a mudança do apelido da família: de Farina para Pininfarina.

Já alguém escreveu que Battista (que faleceu em 1966) pretendia tornar Sergio no “Farina mais famoso de sempre”. E, se não acertou, não andou longe.

Sergio Pininfarina – que até já tinha servido de mediador entre os dois feitios difíceis do pai e do seu mais ilustre cliente, Enzo Ferrari – teve de passar a lidar directamente com o senhor de Maranello e, depois de algumas dificuldades iniciais, criou com a Ferrari uma ligação plena de êxitos.

Sob a sua direcção, a Pininfarina fortaleceu a sua vocação internacional, expandiu as suas actividades e fez da inovação uma de suas características distintivas.

A parceria com a Ferrari representa um dos capítulos mais importantes dessa trajectória.

Ao longo das décadas, surgiram alguns dos modelos mais icónicos do Cavallino Rampante: do 250 GT ao Dino 246 GT, do 365 GTB/4 Daytona ao Testarossa, além de inúmeros outros modelos, que ilustram uma das relações mais celebradas na história do design automóvel.

A obra de Sergio Pininfarina, no entanto, foi muito além da Ferrari. O seu trabalho ajudou a definir a linguagem automóvel italiana e internacional. Entre seus projectos mais famosos estão o Alfa Romeo Spider, o Fiat 124 Sport Spider, o Lancia Gamma Coupé e o Peugeot 406 Coupé.

Modelos de épocas e características distintas, mas unidos pela a abordagem que era a filosofia de Sergio Pininfarina: “O design não é simplesmente uma questão de estilo. É uma ferramenta para construir e fortalecer a identidade de uma marca”.

Paralelamente à sua actividade industrial, Sergio Pininfarina desempenhou papéis importantes no mundo das associações e instituições.

Em 1978, tornou-se presidente do Sindicato Industrial de Turin e, no ano seguinte, depois de ter fundado o Partido Liberal, foi eleito para o Parlamento Europeu, onde permaneceu até 1988. No mesmo ano, tornou-se presidente da Confindustria, cargo que ocupou até 1992. Em 2005, o presidente da República, Carlo Ciampi, nomeou-o senador vitalício.

Em 2002, deixou a gestão operacional da empresa e assumiu o cargo de presidente honorário, confiando ao seu filho Andrea o cargo de CEO. A tragédia, porém, alterou-lhe os planos, seis anos mais tarde, quando Andrea morreu, na sequência de um acidente de viação.

Sergo Pininfarina nunca terá recuperado do desgosto, vindo a falecer em 2012.

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