30 de Junho de 1956: o pior dia da vida de Enzo

Dino Ferrari morreu (aos 24 anos) há sete décadas.

Dos muitos desgostos que teve ao longo da vida, nenhum teve tamanha dimensão como aquele que Enzo Ferrari viveu faz hoje 70 anos: a morte, aos 24 anos, do seu filho Alfredo (Dino) Ferrari.

Nascido a 19 de Janeiro de 1932, Alfredo (nome dado em homenagem ao avô paterno), tratado por Alfredino ou simplesmente Dino, tinha tudo para ser um príncipe. A herança (tecnológica, industrial e desportiva) do pai e a inteligência do próprio Dino pareciam ter tudo para dar origem a um verdadeiro conto de fadas.

Até ao dia em que Dino, já com estudos em Economia e Engenharia, feitos nas melhores escolas europeias, foi diagnosticado com distrofia muscular de Duchenne, uma doença incurável, de origem genética, de prognóstico fatal.

Progressivamente, com é próprio da doença, com menor mobilidade, Dino manteve até ao fim as faculdades mentais e o empenho no desenvolvimento de novas soluções para a Ferrari.

Sugeriu ao pai o desenvolvimento de um motor de 1,5 litros, V6, projecto que ainda iniciou, em parceria com Vittorio Jano, o mago que Enzo recrutara em 1955.

A 30 de Junho de 1956, em Modena (cidade onde também nascera), Dino Ferrari faleceu, sendo que o seu nome perdurou no mundo automóvel.

Em sua homenagem, o motor V6, utilizado na Fórmula 2, ganhou o nome Dino, os 206 S de Sport-Protótipos denominaram-se Ferrari-Dino, o Autódromo de Imola, criado em 1953, recebeu  seu nome em 1957 (mais tarde passaria a ter o nome actual, Autodromo Internazionale Enzo e Dino Ferrari) e, em 1967, surgiria um automóvel de estada ainda hoje icónico.

Falamos do Dino 206 GT (na imagem), nascido em 1967, como o primeiro desportivo de estrada de motor central. Naturalmente um V6 desenvolvido, por Jano, a partir da ideia de Dino. Com carroçaria desenhada por Aldo Brovarone, no seio da Pininfarina.

Antes disso, em Outubro de 1965, no Salão de Paris, foi mostrado um protótipo, criado pela Pininfarina, denominado Ferrari Dino 206 Pininfarina Berlinetta Speciale, automóvel vendido em 2017 por 4.390.400 euros. Ao mesmo tempo, a Bertone apresentou a proposta Dino Coupé, também ele vendido em leilão, em 2018, por 3.080.000 dólares.

A escolha definitiva, idêntica ao que viria ser o 206 GT de produção, seria apresentada no Salão de Turin, em Novembro de 1966.

Denominado internamente, aquando do seu desenvolvimento, com o “Ferrari Pequeno”, na hora do seu lançamento o próprio Enzo Ferrari decidiu que o modelo não deveria ter o nome Ferrari mas apenas Dino.

Evoluindo, posteriormente, com o 246 GT e o 246 GTS (cuja produção terminou em 1974) o Dino 206 GT transformou-se, com o passar dos anos, num verdadeiro ícone da indústria automóvel.

A tal ponto que hoje a própria marca lhe chama de Ferrari (https://www.ferrari.com/en-EN/auto/dino-206-gt) e os coleccionadores de Clássicos passaram a dar-lhe um valor muito maior.

Depois de décadas a ouvir-se “nem é um Ferrari”, os valores que hoje lhes são atribuídos subiram em flecha na última década, até ao ponto de um 246 GTS, de 1974, ter chegado, já este ano, a um preço recorde de 1.325.000 dólares. 

70 anos volvidos, a memória e nome de Dino perduram.

30 de Junho de 1956: o pior dia da vida de Enzo 30 de Junho de 1956: o pior dia da vida de Enzo Reviewed by Auto Vintage on 30.6.26 Rating: 5

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