Carrera Panamericana: a mais perigosa do mundo



Há 70 anos arrancava a primeira edição de uma prova mítica.

Juárez, cidade mexicana na fronteira com o México. Dia 5 de Maio de 1950. Vindos de vários pontos do mundo, pilotos de renome e simples amadores preparam-se para iniciar uma nova prova de automobilismo: a Carrera Panamericana. Após cinco edições terminaria aquela a que alguns chamaram "a corrida mais perigosa do mundo".
Inspirada nas italianas Mille Miglia e Targa Fiorio, a Carrera Panamericana, ao longo dos seus 3.070 quilómetros, propunha-se divulgar a Pan-American Highway. No que já tinha sido construído da mesma e no que ainda estava por fazer.
Daí que a prova tivesse troços de boa estrada e outros em terra batida, em altitudes que iam dos 100 aos 3.200 metros.
Reservada a automóveis (teoricamente) de série, logo na primeira edição se percebeu que atrai-a o interesse de marcas e pilotos de todo o mundo. Particularmente os norte-americanos, é certo, mas também os europeus, com a Alfa Romeo, por exemplo, a fazer alinhar dois 6C 2500, para os seus pilotos Felice Bonetto e Piero Taruffi.
No final das nove etapas da edição de 1950 o primeiro a passar a meta, situada em Ciudad Cuauhtémoc (anteriormente denominada El Ocotal), em Chiapas, na fronteira com a Guatemala, foi o Oldsmobile 88, com o nº 52, conduzido pelo norte-americano Hershel McGriff, piloto profissional, que se viria a notabilizar nas provas de Nascar.
Com uma média final de 142km/h, em estrada aberta, McGriff (que foi navegado por Ray Elliott) teve de se empenhar a fundo para bater, por cerca de minuto e meio, o Cadillac 62 conduzido por Thomas A. Deal.
Esta primeira edição da prova terminou "apenas" com quatro mortos, três pilotos e um espectador, mas isso não chegou para travar a realização de mais quatro edições.
O que não se voltou a repetir foi o triunfo de um piloto ou de uma marca norte-americana.
A Ferrari venceu em 1951, com Piero Taruffi ao volante, tendo como navegador o italo-americano Luigi Chinetti, recém-nomeado importador da marca para os Estados Unidos.
Em 1952 foi a vez dos louros irem para a Mercedes (Karl Kling era o piloto) e em 1953 foi o grande Juan Manuel Fangio a levar um Lancia D24 Pininfarina ao lugar mais alto do pódio.
Em 1954 voltou a registar-se uma vitória da Ferrari, tendo Umberto Maglioli como piloto do 375 Pininfarina vencedor.
Já com um número significativo de vítimas, entre concorrentes e espectadores, em 1955, na sequência do trágico acidente de Le Mans, o presidente mexicano, Adolfo Ruiz Cortines, anunciou o cancelamento da prova, dizendo que o principal propósito da mesma – "fazer publicidade à nova auto-estrada panamericana – já tinha sido atingido.

Em 1988 e à semelhança de outras congéneres de outras latitudes, a Carrera Panamericana regressou como Revival.
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