Original tornou-se, em 1935, no automóvel mais rápido, ao rodar a 326,975 km/h.
A 15 de Fevereiro de 1935, com Hans Stuck (pai) ao volante, num troço de auto-estrada perto de Lucca, em Itália, um automóvel criado pela Auto Union estabeleceu um máximo de velocidade: 326,975 km/h. A máquina original perdeu-se, mas agora a Audi Tradition decidiu recriá-la, o mais próxima que era possível do “verdadeiro”.
“A Audi não possuía, na sua colecção de veículos históricos, nenhum carro de corrida ou de tentativa de recorde da Auto Union do início da era dos Grandes Prémios”, afirma Stefan Trauf, líder da Audi Tradition, na apresentação da nova criação.
Cerca de três anos de trabalho, contando com a colaboração da britânica Crosthwaite & Gardiner – tendo por base esquemas e fotos da época, guardados nos arquivos da Audi – permitiram o aparecimento, agora, de uma réplica fiel do Auto Union Lucca, que poderá ser vista a rolar, pela primeira vez em Julho, na próxima edição do Goodwood Festival of Speed.
O resultado não é um carro Clássico restaurado nem um restmod moderno. É, como já lemos, “uma verdadeira ressurreição histórica”, resultado de um trabalho quase obsessivo, com cada componente a ser produzido manualmente.
A carroçaria em alumínio polido – longa, estreita, absurdamente baixa, que mais parece uma escultura futurista do que um automóvel – exigiu um trabalho extremamente complexo, especialmente na região do habitáculo, em forma de bolha, e na traseira afunilada, que parece esculpida pelo próprio vento (o coeficiente aerodinâmico final, agora medido pela Audi, foi de apenas 0,43, número extraordinário para um automóvel dos anos de 1930).
Sob a longa carroçaria, um enorme motor V16, com compressor mecânico, de quase cinco litros, debitando cerca de 340 cavalos.
Denominado originalmente Auto Union Rennlimousine (literalmente “carro de corrida”), ganhou o nome Lucca pelo facto de ter sido num troço de auto-estrada junto à cidade toscana que foi estabelecido o recorde de Fevereiro de 1935.
A história do modelo original começa numa das eras mais intensas eras do automobilismo europeu. A Alemanha vivia então uma verdadeira guerra tecnológica entre Mercedes-Benz e a Auto Union, o conglomerado que reunia a Audi, a DKW, a Horch e a Wanderer, origem dos quatro anéis que simbolizam a Audi moderna.
Os dois fabricantes queriam deter recordes de velocidade e a supremacia técnica, numa época em que as corridas eram vistas quase como demonstrações nacionais de poder industrial.
Depois da Mercedes ter estabelecido, em 1934, na Hungria, novos recordes de velocidade, a Auto Union avançou para o seu projecto, que ficou concluído no início de Dezembro de 1934.
O primeiro teste teve lugar no Circuito de Avus, em Berlim, a 17 de Dezembro, após o que foi tomada a decisão de rumar à Hungria, para tentar bater o recorde da Mercedes-Benz (tendo Rudolf Caracciola como piloto) no mesmo palco do seu concorrente.
Tudo acertado com o Automóvel Clube Húngaro, a Auto Union (máquina, piloto e técnicos) chegou a Budapeste a 4 de Fevereiro de 1935. No dia seguinte, toda a equipa seguiu para Gyòn (cerca de 40 quilómetros a sul da capital húngara), onde foram realizados os primeiros testes.
Tudo parecia estar a correr bem, menos as condições meteorológicas. Com o tempo a não apresentar melhorarias, foi tomada a decisão de mudar o palco dos testes para Itália. Mesmo a sul de Milão, o troço escolhido estava coberto de neve e a Auto Union decidiu seguir ainda mais para Sul: para a auto-estrada Florença-Viareggio, mais exactamente para o troço entre Pescia e Altopascio, nos arredores da cidade de Lucca.
Foi ali que, a 15 de Fevereiro de 1935, que o lendário piloto Hans Stuck levou o Auto Union à velocidade máxima de 326,975 km/h, estabelecendo um dos recordes mais impressionantes da época.
Conseguiu, também, a média de 320,267 km/h na milha lançada, face ao recorde anterior da Mercedes-Benz, que era de 316,592 km/h.
Fotos: Audi Media Center
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